sexta-feira, 15 de junho de 2007

O que é planta medicinal e princípio ativo?

As plantas sintetizam compostos químicos a partir dos nutrientes, da água e da luz que recebem. Muitos desses compostos ou grupos deles podem provocar reações nos organismos, esses são os princípios ativos. Algumas dessas substâncias podem ou não ser tóxicas, isto depende muito da dosagem em que venham a ser utilizada. Assim, planta medicinal é aquela que contém um ou mais de um princípio ativo que lhe confere atividade terapêutica, profiláticas e paliativas, devendo ser usadas em doses corretas para terem o efeito desejado. Em algumas plantas, esse princípio ativo será mostrado de uma forma diferente das outras. Se a planta estiver vivendo em seu habitat natural, ela produzirá mais princípio ativo, caso contrário, a quantidade e a força do princípio ativo da planta será menor.


A seguir, exemplos de alguns grupos de princípios ativos com maior importância:

Alcalóides: atuam no sistema nervoso central (calmante, sedativo, estimulante, anestésico, analgésico). Alguns podem ser cancerígenos e outros antitumorais. Ex.: cafeína do café e guaraná, teobromina do cacau, pilocarpina do jaborandi, etc.

Mucilagens: cicatrizante, antinflamatório, laxativo, expectorante e antiespasmódico.

Flavonóides: um antinflamatório que fortalece os vasos capilares, antiesclerótico, anti-dematoso, dilatador de coronárias, espasmolítico, antihepatotóxico, colerético e antimicrobiano

Taninos: adstringentes e antimicrobianos (antidiarréico). Precipitam proteínas.

Óleos essenciais: bactericida, antivirótico, cicatrizante, analgésico, relaxante, expectorante e antiespasmódico.

O que é fitoterápico?


O produto fitoterápico é todo medicamento tecnicamente elaborado, empregando-se exclusivamente matérias-primas ativas vegetais com finalidade profilática, curativa ou para fins de diagnóstico, com benefício para o usuário. Fitoterápicos são produzidos de plantas frescas ou secas, ou parte das plantas por destilação, percolação, maceração e outras operações. Caracteristicamente, os constituintes ativos são obtidos juntos com outras substâncias presentes na planta. Estas substâncias atuam sinergicamente melhorando a atividade biológica. Para manter a qualidade em um fitoterápico, antes é necessário assegurar a co-existência destas substâncias, ou grupos químicos, presente na espécie, visto que os princípios ativos de muitas plantas medicinais são desconhecidos, bem como as demais substâncias. Uma qualidade consistente do fitoterápico pode ser alcançada se todas as etapas de processamento da matéria-prima ativa vegetal e manufatura do produto final conservar o constituinte ativo e as substâncias sinérgicas.

Dicas para o cultivo de plantas medicinais em casa (horta medicinal)

O local deverá ter disponibilidade de água (em abundância e de boa qualidade), e ser ensolarado, principalmente ao sol da manhã. O solo deverá ser leve e fértil para que as raízes tenham facilidade de penetrar e desenvolver. Tendo disponibilidade é bom fazer a análise do solo, principalmente, se a horta for para fins comerciais. Quanto ao aspecto físico do solo, pode ser melhorado no seu preparo, incorporando no mesmo, esterco e/ou composto orgânico, onde fornecerá nutrientes que ajudarão a reter a umidade. A correção do solo pode ser feita com calcário ou adubo natural, o chamado húmus.

Produtos fitoterápicos


Ungüento: é preparado misturando-se ervas ou sucos de ervas com uma substância gordurosa. Habitualmente, emprega-se a vaselina, a lanolina ou, também, a gordura de porco. Todavia, esta última deve ser evitada, pois rança facilmente, podendo ser utilizada, ao menos, naqueles ungüentos que vão ser utilizados no espaço de um dia.

Vinho medicinal: costumeiramente é diurético ou estomáquico. Vertem-se as ervas estabelecida – naturalmente cortadas em pedaços ou trituradas – em vinho, deixando-as macerar por um determinado período de tempo. Filtra-se, então, o vinho. Para a preparação deste medicamento aconselha-se utilizar, sempre, vinho de primeiríssima qualidade.

Hidrolatos e óleos essenciais: produto da destilação da água em que estão em maceração uma ou mais plantas. Mais conseguido através de destilados simples ou de um alambique, que contém as partes voláteis e aromáticas das plantas usadas. Todos os vegetais possuem, em concentrações diferentes, óleos essenciais (aromáticos ou não) que se volatilizam pela ação do calor. Na destilação, esses óleos misturam-se ao vapor de água que produz pela fervura e que, ao se condensar de novo, é coletado em recipiente. O hidrolato se constitui assim, de óleos finamente dissolvidos na água. A composição química dos óleos essenciais é bastante complexa. Além de variar durante o dia e ao longo do ano, depende da parte da planta que é destilada (raiz, madeira, casca, folha, caule, flor, semente), da variedade, do solo e até do clima. Os óleos são constituídos principalmente de terpenos, sesquiterpenos, estéres, álcoois, fenóis, aldeídos, cetonas, e ácidos orgânicos. Se necessário, esses óleos dissolvidos podem ser separados da água por meio de um condensador especial (tipo Clevenger). Se os óleos forem mais leves que a água, flutuam; se forem mais pesados, vão para o fundo. Controlando-se a saída do produto final, pode-se obter o óleo essencial puro. Não se dispondo de um destilador, pode-se obter os óleos essenciais por métodos mais simples, deixando as plantas em maceração dentro do óleo extrator. Nesse caso, os óleos diluem-se no óleo extrator.

Tinturas: soluções de uma ou mais plantas medicinais, conservadas em álcool. Essas soluções não devem ser armazenadas por longo tempo, pois assim, as propriedades mais sutis dessas plantas se perdem. Devem ser guardadas em frascos escuros, em locais frescos e ao abrigo de luz. Podem ser preparadas com partes de vegetais moles (folhas, flores e talos)ou duras (raízes, cascas, sementes) frescas ou secas.

Chá: servem tanto para o uso interno quanto para o uso externo, variando de acordo com a indicação, a composição e a qualidade de cada erva ou planta medicinal.

Modos de preparo do chá:

Infusão: costuma ser indicada para flores, folhas ou frutos, mas pode-se utilizá-la outras partes das ervas.Primeiro, pique a planta e reserve. Depois coloque água no fogo e, quando ela estiver em ebulição, jogue na chaleira os pedaços da erva.Tampe. Deixe ferver por alguns segundos, apague o fogo e mantenha a mistura descansando por dez ou quinze minutos. Em seguida é só coar e tomar.

Decocção: esse método é o mais adequado para cascas, caules, frutos secos, raízes e sementes. Nesse caso, as plantas, picadas, são colocadas em uma chaleira com água fria. Leve ao fogão, espere ferver e aguarde de 5 a 10 minutos antes de tirá-la do fogo. Para fins medicinais, o chá por decocção deve ser tomado quente.

Maceração: você pode usar qualquer parte da erva. Pique-a bem, ou amasse-a com pilão, antes de mergulhá-la em água, álcool de cereais, óleo, vinagre ou vinho. A escolha do líquido deve ser feita de acordo com o objetivo que se deseja alcançar. Para fins culinários, vinagre, óleo e vinho são excelentes; para fins terapêuticos ou cosméticos, o vinagre é pouco apropriado. As partes tenras das plantas, incluindo flores, folhas e sementes, devem ficar em maceração por no mínimo 12 horas. No caso de cascas e raízes macios, ou de talos amolecidos, esse período sobe para 18 horas. Quando se tratar de cascas, raízes e talos grossos, duros, a maceração precisa durar um dia inteiro.Muitas vezes, bem mais do que isso, fincando em descanso por 10 à 15 dias. Antes de usar, é recomendável coar a mistura em tecido, espremendo-a bem antes de se desfazer dos resíduos.

Os chás, além de ingeridos, podem ser usados na forma de:

Compressas: Compressas de chá quente aliviam dores inflamatórias e facilitam a resolução daquelas inflamações. Para esses casos usam-se chás com propriedades antiinflamatórias.

Banhos: Para banhos de imersão a água deve estar morna e o banho deve durar uns 20 minutos. O banho pode ser repetido três vezes por semana durante um mês. Após esse período deverá mudar a erva utilizada.

Gargarejos: São recomendados para atuar na cavidade bucal e na garganta. Pode-se acrescentar sal de cozinha depois de coado, pois este é antiinflamatório e anti-séptico.- Inalações: Específico para as vias respiratórias. Deve ferver-se o chá e colocar um funil de papelão invertido sobre o recipiente, inalando o vapor.

Lavagens: Normalmente intestinais e vaginais (corrimento).

Tomilho: a planta da coragem

Nome popular: Tomilho
Nome científico: Thymus vulgaris L.
Família: Lamiaceae (Labiatae)

Origem: Thymus deriva da palavra grega thymon, que significa coragem, e sua utilização no decorrer da história muitas vezes foi associado a seu poder estimulante. Os soldados romanos, por exemplo, banhavam-se em água com tomilho que lhes dava vigor, e na Idade Média, as damas européias bordavam ramos de tomilho que ofereciam aos seus cavaleiros andantes. Suas poderosas propriedades anti-sépticas e de preservação eram conhecidas dos egípcios que o usavam para embalsamar.

Características botânicas: Subarbusto perene, pode atingir de 8 a 45 cms de altura, ou ter caules prostrados. Folhas minúsculas e estreitas, lanceoladas ou lineares, de até 9 mm de comprimento e 2 mm de largura, com bordos voltados para baixo, com pecíolo curto, esbranquiçadas e glandulosas;flores que vão do branco ao lilás formando glomérulos (parecem capítulos globosos), axilares e terminais. Algumas espécies possuem odor característico de cítricos, como o T.serpyllum e T.citrodorus.Plantar em colinas áridas e ensolaradas, não suporta frio, solo semi-arenoso, de preferência à partir de divisão de touceiras. Pode também ser semeado.Cultivo: Vai bem em solo pobre e pedregoso, e gosta de bastante sol.

Partes utilizadas: Sementes, flores, folhas e óleo essencial.

Utilizações:

1. Culinária: Excelente tempero para carnes, principalmente as mais gordurosas, pois ajuda a fazer a digestão; dá sabor especial à caldos, sopas e marinados;

2. Medicinal: Digestivo, antiséptico, cicatrizante, vermífugo, estimulante, etc. Combate os incômodos da ressaca. Em caso de tosse violenta, gripe forte ou garganta inflamada, infusão adoçada com mel. No caso de debilidade infantil: decocção de 100gr de tomilho em 2 litros de água. Colocar na banheira. Se o problema for dispepsia, flatulência: infusão. Aplicado em feridas sob forma de infusão atua como anti-séptico e cicatrizante. Bom para tratar infecções por fungos, má circulação periférica e verminoses. Excitante das funções circulatórias e cerebrais.A infusão é um tônico digestivo, também usada para tosses catarrais e espasmódicas; muito usada popularmente também para eliminar lombrigas, oxiúros e outros vermes.(Infuso 3 a 5 gs da erva em 100 ml de água fervente por 10 minutos.)

3. Cosmética: O vinagre de tomilho é um bom rinse escurescedor para cabelos, e também utilizado para combater piolhos.

4. Caseiro: Junto com a arruda, citronela, manjericão e losna, o tomilho pode compor um bom desinfetante doméstico. Ramos de tomilho florido ficam lindos em bouquets de flores secas e expelem um aroma vigoroso.

OBS: Evitar tomar bebidas alcoólicas enquanto se consumir infusão de tomilho, porque aumenta muito a absorção do álcool pelo organismo.

Perguntas

1. Qual a sua opinião sobre o uso de produtos fitoterápicos na Saúde Pública?

2. Você acha que os médicos deveríam se interar sobre o uso da fitoterapia a fim de prescrever a sua utilização para pessoas interessadas neste tipo de tratamento?